Tudo começou com uma piradinha qualquer que não gostava de sutiã, tampouco de espartilho. Ela pirou o cabeção e contaminou várias outras, com idéias mirabolantes que versavam sobre “vamos conquistar o nosso espaço“.
Elas tinham o espaço , a casa inteirinha, o mundo aos seus pés. Tinham o domínio completo sobre os homens. Tinham um só marido para toda a vida. Eles dependiam delas para comer, se vestir, se exibir para os amigos, ter um status na sociedade. Mas daí, elas não queriam mais ficar em casa, cuidar dos filhos, tricotar e trocar receitas com amigas, plantar flores… Desencadearam então a tal emancipação feminina e queriam reivindicar seus direitos. Parece que conseguiram.
Hoje, quase como um ritual obrigatório diário, temos que cuidar dos cabelos, fazer escova, maquiar, passar hidratante, escolher qual a melhor roupa para vestir, que sapatos, acessórios –(que perfume combina com meu humor?)– menstruar cerca de 450 vezes na vida (enquanto que no tempo da vovó, isso ocorria em torno de 250 vezes), sair correndo para trabalhar, ficar no engarrafamento, passar o dia (ereta!) na frente do computador e com o telefone no ouvido, resolvendo problemas.
Somos fiscalizadas e cobradas por nós mesmas a estarmos sempre em forma, sem estrias, depiladas, sorridentes, cheirosas. Sem falar no currículo impecável, recheado de mestrados, doutorados e especializações. Viramos “super-mulheres”.
Nós temos filhos, ou somos mães solteiras, somos profissionais bem-sucedidas, mas continuamos a ganhar menos que eles, não achamos nada de mais ter que arcar com a conta do motel e ainda podemos ter vários “amigos” (se é que você me entende), namorados ou rolos (tanto faz!), noivos ou maridos…
É, parabéns! Você é uma mulher moderna, dinâmica e pronta para viver no século XXI. Mas quer saber? Posso até ser metida a moderninha, porém essa brincadeira de conquistar espaço, igualdade de direitos, acabou é me enchendo de deveres, isso sim! Eu quero ser sensível, talvez até ser o sexo frágil. Eu quero um homem que abra a porta do carro para eu entrar, puxe a cadeira para eu sentar, me mande as mais belas rosas com cartões cheios de poesias escritas à mão, faça serenatas na minha janela e carregue as minhas compras de supermercado.